Autoridades festejam acordo para pavimentação da BR-319, mas vice-governador cutuca possíveis futuros adversários: “ataques às autoridades atrasaram o processo”
- blogdojucem
- 17 de jul. de 2025
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Enquanto o governador Wilson Lima (UB), deputados e outras autoridades festejaram o acordo entre Ministérios que vai possibilitar a pavimentação do trecho do meio da BR-319 (Manaus-Porto Velho), o vice-governador Tadeu de Souza (Avante) fez o primeiro movimento mais claro a indicar uma disputa pelo Governo do Estado em 2026. Ele disse que ataques a autoridades, sem citar nomes, atrasaram o processo, numa clara alusão ao senador Omar Aziz (PSD) e ao deputado Capitão Alberto Neto (PL), que atacaram a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, em sessões no Congresso.
Aziz e Neto são listados entre os possíveis adversários de Souza numa eventual disputa pelo Governo do Estado em 2026, desde que Lima renuncie ao mandato para concorrer a outro cargo.
O vice-governador afirmou que o Plano BR-319, recém-anunciado pelos Ministérios do Meio Ambiente e dos Transportes, “é a prova de que o diálogo democrático é o caminho para resolver gargalos que impedem a repavimentação da rodovia”. A declaração foi feita nas redes sociais, após o anúncio de um acordo entre os gestores das pastas, Marina Silva e Renan Filho.
Para o vice-governador, ataques às autoridades prejudicaram as negociações em torno das obras da estrada que liga Manaus a Porto Velho (RO). Apesar disso, Tadeu acredita que, agora, há uma sinalização mais clara para que a obra avance com o plano anunciado pelos ministros.
“A concreta cooperação entre ministérios é, sim, uma boa notícia para nós, amazonenses. Como vice-governador, reitero que o Amazonas está disposto a cumprir todos os ritos ambientais para que essa obra, enfim, se torne realidade”, ressaltou.
O Plano
Segundo o MMA, uma comissão interministerial será criada, com a participação de ministros de Estado e de um Comitê Executivo formado por representantes técnicos. As ações serão coordenadas pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Ministério dos Transportes e Casa Civil.
O plano prevê uma Avaliação Ambiental Estratégica (AAE) para toda a área de influência da rodovia, a fim de garantir que as decisões sobre a obra sejam tomadas com base em estudos técnicos, evitando impactos negativos na Amazônia.
Além disso, será criado um modelo de governança para a área de abrangência da estrada, que compreende uma faixa de 50 quilômetros para cada lado da BR-319. Ao todo, a região cobre cerca de 42 milhões de hectares e inclui terras indígenas e unidades de conservação.
Redundância logística
Desde que assumiu o cargo, em 2023, Tadeu de Souza defende a pavimentação da rodovia, respeitando todos os marcos ambientais. Para o vice-governador, a estrada é fundamental para que o Amazonas tenha mais uma alternativa de escoamento de produtos do Polo Industrial de Manaus (PIM), além de garantir a chegada de insumos, alimentos e suprimentos diante de eventos climáticos extremos.
No ano passado, a maior estiagem da história do Amazonas afetou o transporte no rio Madeira, hidrovia por onde passam grande parte dos produtos que chegam a Manaus.
“Embora os modais aéreos e hidroviários consigam escoar a produção do Polo Industrial de Manaus, precisamos obter a redundância logística diante das mudanças climáticas. Não dá para abrir mão do modal rodoviário”, defende o vice-governador.
A rodovia
A estrada foi construída durante o governo militar e tornou-se intrafegável no fim da década de 1990. Com 918 quilômetros de extensão, a BR-319 atravessa a Amazônia e interliga 22 municípios da região do interflúvio dos rios Madeira e Purus.
Sem a repavimentação, o Amazonas fica isolado do restante do país, principalmente durante o inverno amazônico, marcado por chuvas intensas e pela cheia dos rios que cortam a estrada. No verão, a rodovia é trafegável, mas em condições precárias, oferecendo riscos a quem se aventura pelo trajeto.




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