Disputa pelo mercado de universidades privadas entra na campanha e promove novo enfrentamento entre Waldery Areosa e Maria do Carmo


O confronto entre a proprietária da Fametro, Maria do Carmo Seffair, e o dono do Ciesa, Waldery Areosa, voltou com força nos últimos dias, com o ingrediente extra de que ela está em plena disputa pelo Governo do Estado pelo PL. Ontem o empresário gravou um vídeo em que acusa a concorrente de manter uma dívida alta, na faixa dos R$ 193 milhões, com direito a notificação formal por inadimplência. Ela foi à Justiça pedir direito de resposta.
A disputa entre os empresários é pública há pelo menos dois anos. Agora se acirrou em função da campanha eleitoral. Waldery apoia o candidato Omar Aziz (PSD) e decidiu entrar na campanha atacando a concorrente.
A suposta crise financeira de uma instituição de ensino superior pode ter consequências que vão além dos credores e acionistas. Em um cenário de agravamento das dificuldades, estudantes podem enfrentar incertezas sobre a continuidade dos cursos e, dependendo das circunstâncias, precisar buscar transferência para outras instituições.
Em longo vídeo, Waldery Areosa questiona a capacidade de Maria do Carmo de administrar o Estado, mas ressalta que o patrimônio pessoal dela saltou de R$ 14 milhões para R$ 118 milhões entre 2022 e 2026. O empresário questiona a origem desse crescimento e levanta suspeitas sobre a destinação dos recursos captados pela Fametro. Ele também associa as dificuldades financeiras da instituição à candidatura da empresária ao governo estadual.
Um dos documentos que ele apresentou é uma notificação enviada em 26 de maio de 2026 pela Oliveira Trust, instituição responsável por representar investidores de uma operação financeira da Fametro. Na correspondência, a corretora informa que o Instituto Metropolitano de Ensino (IME), mantenedor da Fametro, deixou de cumprir uma obrigação de pagamento vencida em 25 de maio.
A instituição recebeu prazo de um dia útil para regularizar o débito, acrescido de encargos. Caso contrário, poderia enfrentar o vencimento antecipado da operação, mecanismo que permite aos credores exigir o pagamento da dívida antes do prazo originalmente previsto, conforme as condições contratuais.
Para conseguir os empréstimos, a Fametro teria oferecido como garantia parte das receitas provenientes das mensalidades e matrículas dos estudantes, incluindo valores pagos pelos alunos do curso de Medicina. Os contratos também incluiriam recebíveis de cartões de crédito e, em uma das operações, imóveis vinculados ao grupo educacional. Na prática, isso significa que parte do dinheiro que a faculdade tem a receber dos estudantes foi comprometida como garantia do pagamento das dívidas, cujos vencimentos estão previstos até dezembro de 2034.
As operações financeiras da Fametro somam aproximadamente R$ 193 milhões, sendo R$ 166,8 milhões em certificados de recebíveis imobiliários (CRI) e R$ 26,3 milhões em outra emissão de notas comerciais.
Os contratos preveem juros vinculados à inflação e, em caso de inadimplência, multa de 2% e juros de mora de 1% ao mês, além dos encargos normais.
Em setembro, a Fametro apresentou uma proposta para modificar o cronograma de pagamentos. O plano prevê pagar apenas os juros, sem amortização do principal, em setembro, outubro e novembro de 2026.
Os credores se reuniram em 21 de setembro, 7 de outubro e 16 de outubro, mas suspenderam as deliberações nas três ocasiões. A próxima assembleia foi marcada para 4 de novembro, dez dias depois do segundo turno das eleições estaduais.
Embora os empréstimos tenham sido contratados pela Fametro, Maria do Carmo aparece como fiadora solidária das operações, juntamente com familiares e empresas ligadas ao grupo educacional.
Na prática, isso significa que a empresária também pode ser responsabilizada pessoalmente pelas dívidas, conforme as condições dos contratos.
As operações contam ainda com garantias imobiliárias e receitas da faculdade, incluindo mensalidades dos estudantes. Os imóveis avaliados em laudos de 2023 somam R$ 192,6 milhões.
Enquanto a Fametro enfrenta dificuldades financeiras e tenta renegociar uma dívida milionária, Maria do Carmo também mantém ligação com outra instituição de ensino superior em Manaus, a Faculdade Santa Teresa, localizada no conjunto Vieiralves. O marido dela, Wellington Lins, é o atual presidente da nova faculdade.
A empresária ainda não se pronunciou. Se o fizer, este post será atualizado.




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