Entenda por que a capivara Filó não pode mais ficar com Agenor


A proteção dos animais silvestres não pode ser confundida com a transformação da fauna brasileira em animais de estimação ou instrumentos de entretenimento nas redes sociais. É o que diz decisão da 7ª Vara Federal Ambiental e Agrária do Amazonas, que determinou, no último dia 13, o retorno definitivo da capivara Filó ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) do Ibama, em Manaus.
O órgão refuta acusações a ele atribuídas pela deputada Joana Darc (União). “O Ibama cumpriu seu dever legal. A fiscalização não foi perseguição. Foi uma obrigação institucional de proteger a fauna brasileira”, diz nota distribuída à imprensa.
Foram lavrados cinco autos de infração ambiental, envolvendo, entre outras condutas, manutenção irregular de animais silvestres, exploração de imagens de animais em situação de abuso e maus-tratos relacionados a um filhote de preguiça-real que morreu.
A humanização de animais silvestres, ainda segundo o Ibama, pode comprometer seu bem-estar. A capivara é uma espécie social, que necessita desenvolver comportamentos naturais e conviver com outros indivíduos de sua espécie. “A popularidade nas redes sociais não coloca ninguém acima da legislação ambiental. O vínculo afetivo não autoriza a apropriação e a manutenção irregular de animais silvestres”, acrescenta.
A sentença ainda reconhece o risco de estímulo à captura, domesticação e tráfico de animais silvestres. A defesa entrou em contradição quando alegava que Filó vivia livremente, mas também que dependia dos humanos e necessitava de guarda definitiva.
O documento cita ainda que Agenor Tupinambá, que se apresentou como tutor de Foló, obteve vantagem pessoal com a polêmica na Internet o que o manteve na insistência à lide, subindo de 300 mil para 2,1 milhões de seguidores após a apreensão e a campanha subsequente.
A magistrada desconsiderou as afirmações de Agenor de que a Capivara Filó foi lhe entregue por uma comunidade indígena, pois não foram incluídas provas disso no processo.
A proteção de Filó deve ser conduzida com responsabilidade, conhecimento científico e respeito à sua condição de animal silvestre.




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