Escolas de samba tentam recuperar público e fazem o espetáculo, mas preço, qualidade dos produtos vendidos no Sambódromo e flanelinhas acabam afugentando torcidas
- blogdojucem
- 3 de fev. de 2025
- 4 min de leitura

As escolas de samba do Grupo Especial encerraram a temporada de desfiles do Carnaval da Floresta 2025 no Sambódromo, no sábado (1º/03). Com enredos que exaltaram a cultura, a ancestralidade negra e as riquezas amazônicas, as oito agremiações tentaram recuperar o público, que vem sendo cada vez menor nas arquibancadas do Sambódromo devido a vários fatores, entre os quais se destacam o preço alto e a baixa qualidade dos produtos oferecidos, o que diminui o tempo de permanência das torcidas, que saem depois de ver a escola preferida.
Foi o terceiro dia de desfiles das escolas de samba no Sambódromo. Na quinta-feira (27/02) desfilaram as escolas de samba do Grupo de Acesso B. E na sexta-feira (28/02), as escolas do Grupo de Acesso A deram seu show na passarela do samba. Nestes as arquibancadas estiveram vazias.
O Carnaval resiste por causa de aficionados como o ator Robson Ney, conhecido no meio artístico como Ney Virgem, realizou uma verdadeira maratona durante os três dias de desfiles das escolas de samba no Sambódromo. Desfilou em quatro escolas do Grupo de Acesso B, quatro escolas no Grupo de Acesso A e cinco no Grupo Especial.
“Hoje eu saio na Sem Compromisso, na Unidos do Alvorada, logo em seguida na Vila da Barra. Aí eu descanso na Aparecida e na Andanças e venho na Reino Unido e na Grande Família”, disse o ator, ressaltando que seu amor pelo Carnaval já tem mais de 30 anos. “Mas essa loucura de descer em muitas escolas é de uns dez anos para cá. Quando eu descobri a forma, aí eu não parei mais. Não quero parar tão cedo”, declarou Ney.
“Eu costumo falar que eu sou do Carnaval, eu não sou de escola A ou B. Eu tenho um amor por todas as escolas de samba. Tanto que eu estou no barracão, durante os ensaios das escolas, estou lá frequentando, eu costumo sair mais nas áreas de passista das escolas, mas sempre sou convidado para sair como destaque”, contou.
O ator afirmou que teve um ano em que desfilou em todas as escolas. “Foi uma loucura. Por pouco eu não consigo sair em uma, mas deu certinho. A correria é muito grande, mas vale a pena”, declarou, acrescentando que faz isso em homenagem à sua querida professora Ednelza Sahdo. “Ela foi uma amante do Carnaval, uma pessoa maravilhosa. E eu me espelhei muito na minha professora também. E hoje em dia eu estou aqui fazendo o que ela gostava muito de fazer”, pontua Ney Virgem.
Pela primeira vez assistindo ao desfile das escolas de samba no Sambódromo, Ana Paula Teixeira dos Santos aprovou a experiência. “Está sendo uma delícia, estou gostando muito”, afirmou. “A música é boa, o movimento das pessoas, o calor das pessoas é muito bom”, justificou.
Mas alguns fatores afugentam o público, a começar pelo estacionamento. A fiscalização falhou e flanelinhas cobravam R$ 30 adiantado para “reparar” os veículos. Na entrada, não se podia entrar sequer com copos térmicos.
Dentro do Sambódromo a cerveja oferecida era única, Itaipava, a R$ 5 a lata. Um prado com arroz, maionese, vatapá e uma proteína saía por R$ 40 e um salgadinho a R$ 10. Muitos foliões lembraram da época em que se podia levar comida e bebida de casa. Saía mais em conta e o público permanecia mais no Sambódromo.
As escolas de samba se esforçaram, alugando ônibus para levar as respectivas torcidas, mas estes torcedores, em sua maioria, permaneceram apenas até a agremiação do coração terminar o desfile.
As escolas
A Sem Compromisso abriu a noite com o enredo “Sumaúma – A Guardiã da Floresta Amazônica”. Na sequência, a Vitória Régia emocionou com “Meu Largo é Amado, Repleto de Histórias… Tem Arte Sacra, Arte Nata, Água Benta, Aguardente, Bares e Beatas. Brotam Neste Chão, em Verde e Rosa, Eu Canto com Emoção”. A terceira a desfilar foi a Unidos do Alvorada, com um desfile forte e poético, celebrando a força feminina em “Divina Mulher! A Força, A Beleza, A Criação”.
A Vila da Barra levou para o Sambódromo um enredo de resistência e empoderamento com “A Rainha de Angola”. A escola exaltou figuras marcantes da história angolana e sua influência na cultura afro-brasileira. E a atual tricampeã, Mocidade Independente de Aparecida, trouxe o enredo “Lux Sapientiae – Orgulho Caboclo”, em homenagem à Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
A Andanças de Ciganos mergulhou no início dos tempos com “Gênesis”, narrando a criação do mundo segundo diferentes crenças e mitologias. A penúltima a desfilar foi a Reino Unido da Liberdade, que promoveu um verdadeiro culto afro-brasileiro com “Épahey Reino Unido! Mojubá, Gbogbo Orixá”. Encerrando a noite, A Grande Família trouxe “Gás Natural – A Energia que Faz Pulsar a Amazônia”, abordando a importância da matriz energética e sua relação com o desenvolvimento sustentável da região.
Cada escola teve 70 minutos para brilhar na avenida, encantando o público com performances diferenciadas. Agora, as agremiações aguardam ansiosamente o resultado da apuração, que acontece na segunda-feira (03/03), para conhecer a grande campeã do Carnaval de Manaus 2025.




Comentários