Prefeitura de Manaus alerta para prevenção à malária no período sazonal da doença e feriados prolongados
- blogdojucem
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Pessoas que frequentam balneários, sítios, igarapés e demais áreas de lazer localizadas na zona rural de Manaus, bem como comunidades e assentamentos situados em áreas periurbanas — regiões de transição entre os espaços urbano e rural — devem redobrar a atenção quanto aos sintomas suspeitos de malária.
O alerta feito pela Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), está relacionado ao início do período sazonal da doença no município, época do ano em que a vazante dos rios favorece a formação de criadouros naturais do mosquito Anopheles, vetor transmissor da malária.
A diretora de Vigilância Epidemiológica, Ambiental, Zoonoses e da Saúde do Trabalhador (Dvae/Semsa), enfermeira Marinélia Ferreira, explica que o fator ambiental contribui para o aumento da população do inseto e, consequentemente, para o crescimento do número de casos da doença.
A enfermeira lembra ainda que o período sazonal da malária coincide com o início do período das férias escolares e com os meses mais quentes do ano, quando aumenta significativamente a procura por áreas de lazer localizadas em regiões com transmissão ativa da doença.
“Com o início do verão amazônico, muitas pessoas procuram áreas de lazer e permanecem expostas justamente nos horários de maior atividade do mosquito transmissor, principalmente ao amanhecer e ao entardecer. Por isso, é fundamental adotar medidas de prevenção e estar atento aos sintomas da doença”, orienta Marinélia.
Por se tratar de uma doença endêmica na Amazônia, a enfermeira aponta que a população deve suspeitar de malária sempre que apresentar febre, especialmente após frequentar áreas de risco ou permanecer em locais onde há transmissão da doença.
A Prefeitura de Manaus disponibiliza o exame para diagnóstico da malária em 55 pontos de atendimento distribuídos nas zonas urbana e rural do município.
“Com o diagnóstico precoce, é possível iniciar o tratamento imediatamente, interromper a cadeia de transmissão e reduzir o risco de complicações. A malária tem cura, mas pode evoluir para formas graves quando o tratamento não é iniciado em tempo oportuno ou quando o paciente interrompe o uso da medicação”, alerta Marinélia Ferreira.
De janeiro até 30 de junho de 2026, Manaus já registrou cerca de 3.284 casos de malária. Historicamente, entre os meses de junho e setembro, período considerado sazonal para a doença no município, observa-se um aumento médio de 52,3% nos casos da doença, quando comparado com o período de janeiro a maio.
No ano passado, Manaus registrou 8.383 casos de malária. Desse total, 3.341 casos foram diagnosticados entre junho e setembro, reforçando a importância da adoção de medidas preventivas durante esse período.
Diagnóstico e tratamento
A malária é uma doença infecciosa febril aguda transmitida pela picada da fêmea do mosquito Anopheles infectada por protozoários do gênero Plasmodium, agentes causadores da doença.
Os sintomas geralmente surgem entre sete e 15 dias após a infecção, e os mais comuns são febre alta, calafrios, tremores, sudorese intensa, dor de cabeça, dores no corpo, fadiga e mal-estar.
O chefe da Divisão de Controle de Doenças Transmitidas por Vetores da Semsa, Alciles Comape, explica que a rede municipal dispõe de 38 pontos de diagnóstico na zona urbana e 17 na zona rural, incluindo a oferta de testes rápidos para detecção da doença.
“Os exames são simples e rápidos, permitindo que o resultado seja disponibilizado em poucos minutos e possibilitando o início imediato do tratamento, medida fundamental para a recuperação do paciente e para a interrupção da transmissão da doença”, informa Alciles Comape.
Prevenção
Para reduzir o risco de infecção, recomenda-se que as pessoas que se deslocam para áreas de transmissão adotem medidas de proteção individual, como o uso de repelentes, roupas de mangas compridas e calças, especialmente durante atividades realizadas em áreas de mata, margens de rios, lagos e igarapés.
O alerta é direcionado principalmente às áreas com histórico de transmissão autóctone da doença e às regiões de ocupação recente localizadas no perímetro periurbano das zonas Norte, Leste, Oeste e rural de Manaus, que são localidades que apresentam condições ambientais favoráveis à proliferação do mosquito transmissor e registram aumento na circulação de pessoas durante os períodos de descanso e lazer.
Também é importante evitar exposição desnecessária nos horários de maior atividade do mosquito transmissor, principalmente ao amanhecer e ao entardecer; manter portas e janelas protegidas com telas ou fechadas, quando possível; e utilizar mosquiteiros ou cortinados durante o período de descanso e pernoite em áreas sujeitas à transmissão da doença.
Ações
Para o controle da doença, a Semsa desenvolve ações permanentes de vigilância e controle da malária em Manaus, atendendo às características específicas dos locais de transmissão da doença, o que abrange tanto criadouros naturais do mosquito, localizados às margens de rios, lagos e igarapés, quanto criadouros artificiais, como tanques de piscicultura.
As principais estratégias executadas pelo município incluem a instalação de mosquiteiros em imóveis situados em áreas endêmicas, o monitoramento de locais favoráveis à proliferação do vetor, a busca ativa para diagnóstico precoce, a identificação de casos assintomáticos, o tratamento oportuno dos pacientes e as ações de controle vetorial, incluindo a termonebulização espacial (fumacê) e a aplicação de biolarvicidas.
