Rede de articuladores ocultos domina o Governo Wilson Lima e fragiliza a gestão estadual
- blogdojucem
- 10 de nov. de 2025
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O Governo do Amazonas transformou-se em um tabuleiro de influências e articulações políticas, no qual diferentes grupos exercem poder e interferem diretamente na máquina pública. Há um articulador central — ligado diretamente ao governador Wilson Lima — e outros espalhados por secretarias estratégicas, cada um com sua área de domínio e seus interesses específicos.
Na Secretaria de Educação (Seduc), por exemplo, um ex-secretário atua nos bastidores como articulador direto de empresas e contratos, tentando blindar a pasta de investigações e manter o controle sobre licitações milionárias. A estratégia, no entanto, começa a ruir: os resultados pífios do Amazonas no Enem expuseram o fracasso das políticas educacionais e mostraram que as contratações bilionárias não têm se traduzido em resultados concretos.
Em outras pastas, o poder é dividido com um grupo comandado por um empresário do setor portuário, que, segundo fontes internas, “manda e desmanda” na administração estadual. Esse núcleo atua determinando quem deve ou não receber pagamentos, interferindo diretamente no funcionamento financeiro e operacional do governo — inclusive com influência sobre secretarias de peso e órgãos de infraestrutura.
A estratégia de fatiar o governo entre aliados e articuladores, que antes parecia garantir controle político e estabilidade, hoje se tornou o maior ponto de fragilidade da gestão Wilson Lima. Com cada grupo operando com autonomia e defendendo seus próprios interesses, o governo perdeu coesão, unidade e comando efetivo.
Nos corredores da Compensa, é consenso que esses operadores atuam silenciosamente, mas com poder real. São eles que costuram alianças, influenciam nomeações e intermediam decisões, enquanto o governador mantém-se distante dos conflitos diários. O modelo criou uma espécie de governo paralelo, sustentado por acordos, favores e blindagens.
Origem e influência do articulador central
O articulador mais próximo de Wilson Lima é filho de um ex-secretário do alto escalão, nomeado em um momento em que o governador enfrentava forte pressão e precisava recompor sua base e reforçar o controle político sobre uma das áreasmais sensíveis da gestão. A escolha foi estratégica, mas a passagem do então secretário foi marcada por polêmicas, denúncias e disputas internas, que culminaram em exoneração e desgaste público.
Mesmo após a saída do pai, o filho manteve trânsito livre dentro do governo. Foi secretário extraordinário, diretamente ligado ao gabinete do governador, e depois secretário executivo de Projetos, posição que lhe deu acesso privilegiado às decisões e contratos de diversas pastas. Ao deixar o cargo formal, ganhou ainda mais liberdade para atuar como conselheiro e operador político do chefe do Executivo, com influência sobre o núcleo decisório do governo.
Seu nome circula, discretamente, em articulações ligadas à crise da Suhab, que culminou na queda do então superintendente, acusado de irregularidades e superfaturamento em desapropriações para arrecadar recursos para pagamento de um escritório jurídico com forte influência em Brasília e que, segundo interlocutores, tem conseguido manter o governador Wilson Lima no cargo.
Ação político-partidária
No campo partidário, o mesmo articulador ocupa um cargo estratégico no União Progressista (ex-União Brasil) no Amazonas — partido comandado pessoalmente por Wilson Lima e que será a base do projeto político do governador para 2026, quando ele deve disputar uma vaga no Senado.
Dentro do partido, ele é descrito como o cérebro das articulações: responsável por manter prefeitos, deputados e secretários alinhados, garantindo fidelidade à base e neutralizando eventuais dissidências.
A atuação transcende o campo político-partidário. Ele é visto como elo entre empresários com contratos milionários e o governo, participando de negociações e articulações internas que vão desde repasses de recursos até disputas por influência em órgãos estratégicos.
Nos bastidores, ninguém duvida do poder e da abrangência dessa rede. A descentralização do comando entre aliados — que deveria dar sustentação política ao governo — acabou criando um sistema de poder fragmentado, no qual cada articulador age por conta própria, em defesa de seus próprios interesses, enfraquecendo a autoridade e a coerência da gestão Wilson Lima.




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