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Governo e Senado: duas eleições, dois comportamentos do eleitor

blogdojucem
há 13 horas
3 min de leitura

Quando observo o cenário eleitoral do Amazonas, uma coisa me chama atenção: a disputa pelo Governo do Estado continua bastante competitiva, mas ainda falta aquele fato político capaz de provocar uma mudança real no jogo.


David Almeida, Roberto Cidade, Maria do Carmo e Omar Aziz seguem no tabuleiro, cada um tentando consolidar seu espaço. Mas, até aqui, o que se percebe é muito mais uma disputa de posições do que uma transformação efetiva das intenções do eleitor.


A adesão de Marcos Rotta a Roberto Cidade, por exemplo, foi um movimento político relevante, mas não produziu, pelo menos até agora, o impacto eleitoral que muitos poderiam imaginar.


E aqui entra uma questão de marketing político: apoio político não é automaticamente transferência de voto. Para uma adesão produzir resultado, ela precisa fazer sentido para o eleitor, gerar identificação e, principalmente, alterar a percepção que ele tem sobre aquele candidato.


No Senado, entretanto, a dinâmica é outra.


Em 2026, o eleitor amazonense escolherá dois senadores. Votará duas vezes e não haverá segundo turno: os dois candidatos mais votados serão eleitos. Isso torna cada movimento de campanha ainda mais estratégico.


Entre os nove nomes colocados na disputa, Eduardo Braga, Wilson Lima, Capitão Alberto Neto e Plínio Valério aparecem em uma posição de maior competitividade, cada um carregando experiências eleitorais e políticas diferentes.


E existe um detalhe que, como marqueteiro, considero particularmente importante: em uma eleição para duas vagas, o eleitor não pensa necessariamente em um único candidato. Ele monta uma dupla.


É aí que as alianças começam a ganhar outro peso.


Os apoios recebidos por Plínio Valério e Eduardo Braga vindos do prefeito de Manaus e de seu grupo político podem representar um movimento relevante. Não apenas pelo tamanho da estrutura política envolvida, mas porque esse tipo de apoio pode influenciar justamente a formação da “segunda escolha” do eleitor.


E segunda escolha, numa eleição para duas vagas, pode ser decisiva.


Plínio Valério, aliás, parece ter construído uma característica interessante nessa disputa: seu nome circula associado a diferentes perfis de eleitor. Pode aparecer ao lado de Alberto Neto, Braga, Wilson Lima ou até de candidaturas menores.


Isso revela algo que, na minha visão, merece muita atenção: Plínio não está dependendo exclusivamente de um único campo político para construir sua votação.



Do ponto de vista do marketing eleitoral, isso é uma vantagem competitiva.


Quando o eleitor já definiu seu primeiro voto, mas ainda precisa escolher o segundo, aquele candidato que consegue transitar entre diferentes grupos aumenta suas possibilidades de crescimento.


É justamente por isso que considero perigoso analisar uma eleição para o Senado apenas pelas intenções de primeiro voto. É preciso observar também rejeição, segunda opção, combinação de votos, capacidade de transferência de apoio e presença territorial.


No final, uma eleição majoritária não é vencida apenas por quem tem mais aliados no palanque.


É vencida por quem consegue transformar apoio político em voto, voto em confiança e confiança em decisão.


E essa talvez seja a principal diferença entre uma campanha que apenas comunica e uma campanha que realmente compreende o comportamento do eleitor.


No Governo, o eleitor escolhe um nome.

No Senado, ele precisa escolher uma dupla.

E quem entender essa diferença antes dos demais pode sair na frente.


Essa é a minha leitura: mais do que acompanhar quem está subindo ou descendo nas pesquisas, é preciso entender como o eleitor está montando sua decisão. Porque, numa eleição equilibrada, o segundo voto pode ser tão importante quanto o primeiro.



Jucem Rodrigues: Comunicador social, Radialista, Marketológo e Professor Universitário.

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