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Omar Aziz e o jogo político majoritário que nunca para

  • blogdojucem
  • 15 de ago.
  • 2 min de leitura
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A política majoritária, como o futebol, raramente se aposenta de verdade. Basta uma brecha no campo para que veteranos voltem a calçar as chuteiras e entrar no gramado outra vez. É o que acontece agora com o experiente Omar Aziz, figura de peso da história política do estado, e atual senador da república. Ele se prepara para disputar o governo em 2026, tentando retomar o lugar que deixou em 2014, para assumir uma cadeira no senado federal.


Omar Aziz, aos 67 anos, volta ao jogo no mesmo campo politico em que construiu vários mandatos consecutivos. Omar é respeitado por várias frentes políticas. Tanto, que tem no seu currículo o título de honrar sua palavra com quem quer que seja. Acima de tudo, é um articulador nato. Essas suas qualidades o acompanham por toda a vida e estão, hoje, cada vez mais raras num ambiente político polarizado e até violento. E já é chamado nos bastidores de “nosso governador”, pelo papel ativo que vem desempenhando nas articulações e no relacionamento com prefeitos e aliados.


O movimento de Omar Aziz propõe múltiplas leituras. De um lado, há a força de quem carrega um capital político robusto, capaz de reorganizar forças no estado e de oferecer representação consistente para os municípios. Omar é interlocutor nato, com trânsito nas mais diferentes instâncias de poder.


Por outro lado, é impossível ignorar a mensagem subliminar na volta de Omar Aziz na disputa pelo governo: a repetição de nomes tradicionais, a manutenção de um ciclo familiar e a falta de renovação no cenário político. Essa permanência das mesmas lideranças expõe também a dificuldade de renovação política do Amazonas. Afinal, quem enfrentaria no estado, um candidato com tamanho histórico eleitoral e rede de apoios?


Mesmo assim, Omar Aziz também terá desafios próprios de um novo tempo. Parte do eleitorado mais jovem pouco conhece seu legado. Para conquistar essa faixa, será preciso traduzir sua experiência em linguagem contemporânea, entendendo e utilizando as redes sociais. Não como obrigação de campanha, mas como ferramenta de diálogo real. No jogo político atual, quem não se conecta com os usuários, corre o risco de desaparecer no debate.


Sua volta, portanto, é um misto de oportunidade e reflexão. Oportunidade, porque traz para a disputa alguém com habilidade política comprovada, capacidade de articulação e respeito entre aliados e até adversários. Reflexão, no entanto, porque escancara a ausência de novas lideranças estaduais dispostas ou capazes de ocupar esse espaço.


Em um cenário de fragmentação política e incerteza econômica, Omar Aziz entra na corrida com vantagem de quem já conhece o caminho das pedras da política. Mas, como todo veterano que volta ao campo, terá de mostrar que ainda consegue jogar no ritmo e com as regras da partida na atualidade. Falta um ano para a disputa começar.

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