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Quando a Humanidade se Acredita Gigante

  • blogdojucem
  • 18 de out. de 2025
  • 2 min de leitura


Na beira do igarapé, com a brisa quente da floresta balançando as copas das árvores, ouvi essa história contada pela minha avó Luiza, nascida em Maués, às margens do Rio Maués-Açu. Ela, guardiã das minhas raízes e responsável pelo meu sangue judaico-Saterê, falava com a calma e a força de quem carregava gerações no olhar.


Dizia que a Humanidade, tão cheia de si, se achava gigante, como se fosse dona do mundo, estrela principal do céu, centro de tudo que respirava e existia.


Mas a verdade era outra. Comparada aos astros lá no alto, a Terra é “GITINHA”, um pedacinho perdido no imenso tapete de estrelas. Um sol que se desequilibrasse um pouquinho, um cometa que errasse o caminho, e tudo que conhecemos poderia virar cinzas em segundos. Nossos prédios, nossas máquinas, nossas invenções… nada resistiria. Nem foguetes, nem satélites, nem inteligência artificial. Tudo se apagaria como se nunca tivesse existido.


E depois? Talvez a vida recomeçasse, como o rio que, depois da cheia, retorna à calma, formando novos caminhos, novos peixes, novas folhas. Talvez novos seres despertassem aqui, entre as árvores e as águas. Ou talvez não… Talvez a Terra ficasse silenciosa, como Marte, cheia de fósseis e lembranças que ninguém leria. Um mundo esperando que outra civilização, se existisse, decifrasse nossos códigos e entendesse o que fomos.


Por muito tempo, pensávamos que o mundo girava ao nosso redor. Tentávamos domar a natureza, humanizar o rio, domesticar a floresta, como se o Sol brilhasse só para nós. Mas a ciência chegou, luz clara na caverna escura da ignorância, mostrando que não passamos de visitantes num planeta vivo. E ainda assim, alguns preferem apagar essa luz, abraçando sombras de negação e orgulho cego.


Poluímos rios, queimamos florestas, sufocamos o ar e o solo. Esquecemos que somos parte do ciclo, que o calor, o frio, a seca, a enchente e a doença são avisos da mãe natureza. E, mesmo assim, continuamos nos achando superiores, racionais, senhores do mundo. Mas que racionalidade é essa que destrói o próprio lar? Que inteligência é essa que mata o que a sustenta?


Talvez a resposta esteja no silêncio da floresta, no murmúrio do igarapé, no imenso céu que ignora nossa vaidade. No cosmos, somos apenas poeira. E ainda assim… ainda assim insistimos em nos achar estrelas.

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